Réquiem
Um profundo abismo se abre diante de mim. Já não sou mais capaz de diferenciar o que devo seguir. Meu desejo me impulsiona para frente, minha razão já não faz mais tanta questão de me empurrar para trás. Antes que eu consiga decidir, um leve empurrão me precipita diante daquele abismo. Eu caio...
As trevas me rodeiam. O frio congela minha alma. Olhos se abrem a minha volta. Uma gargalhada ressoa por todo o lado. Continuo caindo. Antes lentamente, agora cada vez mais rápido. Eu grito...
Cheguei até o fim. As trevas estão por todo lado. Uma respiração quente e ofegante prende minha atenção. Não sei onde ela está, mas a sinto muito perto. Preciso sair desse lugar. Preciso correr. Mas não importa para onde eu vá, pois aquela respiração sempre está ao meu lado. Eu fujo...
Agora não sinto mais meu corpo. Minhas pernas não respondem ao meu comando. Estou no vazio. Mas não é como o vazio de antes. Este é depressivo e inebriante. Não sou mais o que era. Perdi o pouco que havia conquistado. Sinto-me só. Eu choro...
Algo está errado comigo. Minha visão tornou-se distorcida. As trevas aos poucos se dissipam. Já sou capaz de enxergar novamente. Um estranho mundo se abre diante de mim. Um mundo triste, sem cores, sem vida. Pálidas criaturas caminham de um lado para o outro esbarrando uma nas outras. Eu paro...
Aos poucos me lembro de onde tudo começou, do por que do abismo se abrir diante de mim. De minhas escolhas. De minhas perdas. De minha arrogância. E de meu desespero. Eu gargalho...
Ele se foi. Eu fiquei. O mundo está pálido novamente. A esperança se foi tão rápido quanto chegou. Nada de bom pode permanecer. A alegria não pode vencer a tristeza. A noite superou o dia. Eu sofro...
Alma pura que se corrompe. Criança tola que se despedaça quando as ilusões se esfacelam diante de seus olhos. Um demônio jamais voltará a ser anjo. Assim como a água jamais se tornará fogo. Uma lágrima não apagará o pecado e um sacrifício não espiará uma alma. Eu vejo...
Eu fui. Ele ficou. O mundo possui cores. Mas são cores que machucam. Que ferem. A esperança agora apenas ilude, não ampara, não dá o alento de outrora. O tolo permaneceu, o fútil, o frágil. O desespero tomou o lugar da tristeza. Eu morro...
Alterna a alma perdida. Ora bom e feliz, ora mau e sofrido. Coração sem controle faz escolhas malditas. Alma sem rumo se joga no abismo. Assim se perdeu aquele que jamais se encontrou. Assim se acabou o que nem começou. Eu vivo...
Caos e ordem. Equilíbrio desequilibrado. Luz e Trevas. Nascer e morrer. Não mais linear. Agora cíclico. Não se sabe mais em que tempo. Apenas um momento. Chamado de agora. E a cada agora uma nova tristeza. A cada agora uma nova certeza. Não há fim por que jamais houve um início. Houve apenas ilusão e desperdício. O tempo passou. A chance acabou. A fonte secou. O tormento voltou. Eu desisto...
Nada perdi, pois nada possui para ter o que perder. Foi tudo ilusão do início ao fim. Só resta o que não tem forma. O que não tem cor. O que não tem som. Pois assim era no princípio, e voltará a ser no final.
O demônio caiu, mas o anjo morreu...
Cheguei até o fim. As trevas estão por todo lado. Uma respiração quente e ofegante prende minha atenção. Não sei onde ela está, mas a sinto muito perto. Preciso sair desse lugar. Preciso correr. Mas não importa para onde eu vá, pois aquela respiração sempre está ao meu lado. Eu fujo...
Agora não sinto mais meu corpo. Minhas pernas não respondem ao meu comando. Estou no vazio. Mas não é como o vazio de antes. Este é depressivo e inebriante. Não sou mais o que era. Perdi o pouco que havia conquistado. Sinto-me só. Eu choro...
Algo está errado comigo. Minha visão tornou-se distorcida. As trevas aos poucos se dissipam. Já sou capaz de enxergar novamente. Um estranho mundo se abre diante de mim. Um mundo triste, sem cores, sem vida. Pálidas criaturas caminham de um lado para o outro esbarrando uma nas outras. Eu paro...
Aos poucos me lembro de onde tudo começou, do por que do abismo se abrir diante de mim. De minhas escolhas. De minhas perdas. De minha arrogância. E de meu desespero. Eu gargalho...
Ele se foi. Eu fiquei. O mundo está pálido novamente. A esperança se foi tão rápido quanto chegou. Nada de bom pode permanecer. A alegria não pode vencer a tristeza. A noite superou o dia. Eu sofro...
Alma pura que se corrompe. Criança tola que se despedaça quando as ilusões se esfacelam diante de seus olhos. Um demônio jamais voltará a ser anjo. Assim como a água jamais se tornará fogo. Uma lágrima não apagará o pecado e um sacrifício não espiará uma alma. Eu vejo...
Eu fui. Ele ficou. O mundo possui cores. Mas são cores que machucam. Que ferem. A esperança agora apenas ilude, não ampara, não dá o alento de outrora. O tolo permaneceu, o fútil, o frágil. O desespero tomou o lugar da tristeza. Eu morro...
Alterna a alma perdida. Ora bom e feliz, ora mau e sofrido. Coração sem controle faz escolhas malditas. Alma sem rumo se joga no abismo. Assim se perdeu aquele que jamais se encontrou. Assim se acabou o que nem começou. Eu vivo...
Caos e ordem. Equilíbrio desequilibrado. Luz e Trevas. Nascer e morrer. Não mais linear. Agora cíclico. Não se sabe mais em que tempo. Apenas um momento. Chamado de agora. E a cada agora uma nova tristeza. A cada agora uma nova certeza. Não há fim por que jamais houve um início. Houve apenas ilusão e desperdício. O tempo passou. A chance acabou. A fonte secou. O tormento voltou. Eu desisto...
Nada perdi, pois nada possui para ter o que perder. Foi tudo ilusão do início ao fim. Só resta o que não tem forma. O que não tem cor. O que não tem som. Pois assim era no princípio, e voltará a ser no final.
O demônio caiu, mas o anjo morreu...
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