O Triste Caminho...
Os olhos se abrem. Seu peito dói.
Não uma dor aguda, mas uma dor incômoda, insistente. Como se uma pequena lâmina
perfurasse lentamente seu coração. Um cheiro terrível domina o lugar. Ele não
sabe onde está. Nem mesmo se lembra de como foi parar ali. Um abismo... Sua
última lembrança. Um nauseante e mal cheiroso abismo. Lembra-se de estar
caindo... Por eras intermináveis... Nas paredes olhos amarelos o espreitavam em
sua queda. Risadas demoníacas ressoavam sem cessar. Então quando parecia que ia
enlouquecer completamente, seu flácido corpo chocou-se com algo sólido na
imensidão negra. Era sólido, mas a consistência lembrava algo como esponja.
Antes que se percebesse sua consciência foi se esvaindo, até que mergulhou em
um mundo de sonhos. Ou será que estava sonhando e só agora acordara? Não sabia.
Estava inebriado pelas sensações tão causticantes que o dominavam. As vezes,
luzes piscavam e parecia que poderia reconhecer rostos. Rostos do passado. Uma
mulher. Havia uma mulher. Mas quem era ela? Por que seu coração disparava sem
controle quando pensava naqueles profundos olhos da cor do mar? A confusão em
sua mente era completa. Tentou se lembrar, mas sua cabeça latejava todas as
vezes que um nome quase surgia. Enfim reúne forças e consegue se levantar. Está
imerso em um oceano cinzento de dúvidas. A neblina que o alcança até a cintura
o impede de enxergar o chão por onde pisa, mas mesmo isso não o impede de
caminhar vacilante. Precisa saber por que esta naquele lugar. E principalmente
quem é aquela mulher que invadiu sua mente com tanta força, que já não consegue
se concentrar em mais nada. Olha fixamente para frente. Um ponto brilhante
reluz bem as sua frente, e logo todas as dúvidas se dissiparam. Tinha certeza
que era naquela direção que deveria seguir. Assim começou sua nova vida. Sem
lembranças das dores que causou ou que sofreu, não poderia aprender com seus
erros e caminhava novamente para o terrível abismo que o conduzira ate ali. Não
muito longe dali, olhos amarelos repletos de malícia acompanham seu caminhar e
não demora muito para uma estridente gargalhada tomar conta daquele pernicioso
lugar.
Cheio de esperança como estava, não
percebeu a armadilha se formando diante dele.
“Sua alma sempre será minha,
Christopher... Não importa o quanto fuja, é para cá que você sempre retornará.”
– Saiu quase como um murmúrio, mas naquele hediondo lugar, a voz gutural
ressoou como trovões.
Para ele era o início... Início
de uma nova queda...
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