Despertando
Uma lufada de vento abre a janela violentamente. A chuva cai torrencialmente e invade o quarto mal iluminado. A janela começa o movimento de vai e vem, conforme o vento invade o aposento.
- Jouliette!! – o jovem acorda de sobressalto e grita. Olha a sua volta assustado. – Quem é Jouliette? – se pergunta ainda confuso pelo abruto despertar.
Os olhos aos poucos vão se acostumando com a baixa luminosidade e então se dá conta da janela e do quarto já encharcado pela chuva.
- Droga! – exclamou enquanto se levanta da cama. – Devia ter fechado melhor essa janela.
Ainda cambaleando segue rumo a janela e a fecha. Um arrepio percorre sua espinha enquanto seus pés descalços tocam as poças sobre o chão.
- Quanto tempo eu dormi? – se pergunta enquanto caminha em direção a porta. Seu corpo começa a tremer. Só então se dá conta que está completamente nu.
Desiste de sair do quarto e olha fixamente para a cama. Na cabeceira jazia uma camisa e uma calça. Nos pés da cama havia um par de sapatos.
- Porque será que não lembrava de ter tirado minha roupa antes de dormir? – estava confuso com o que acontecera. Caminhou lentamente até a cama e pegou as roupas. Apesar de frias, não estavam úmidas. Usou o lençol para secar seus pés e calçou os sapatos.
Agora podia deixar o quarto. O sonho ainda tomava parte de sua mente. Não conseguia parar de pensar naqueles olhos negros e nem naqueles longos cabelos cacheados.
Desceu as escadas com cuidado. Ainda se sentia um pouco tonto. Olhou pela janela da cozinha e parecia que enfim a chuva daria uma trégua.
- Preciso de um café. – pensou. Encarou o relógio na parede. – Três da manhã?!? – exclamou incrédulo.
Era muito cedo ainda. Não tinha esse hábito de acordar tão cedo. Talvez o sonho o tenha perturbado mais do que imaginava. Achou melhor fazer o café, para quem sabe se ocupando, conseguiria deixar aquela lembrança ir embora.
Pouco tempo depois, sentado olhava fixamente pela janela enquanto sorvia em pequenos goles o café sem açúcar.
Tentava reconstruir os detalhes daquele sonho em sua mente. Tentava buscar no fundo de sua alma quem era aquela mulher que vira no sonho e que o tinha deixado tão assustado.
Aos poucos os raios de sol começaram a invadir o aposento, afastando totalmente o peso da noite intensa que tivera.
Mais um dia ia começar.
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