Caindo...

A planície árida se estende pela imensidão. Raios cruzam os céus vermelhos. Novamente o espírito quebrado se arrasta lentamente. Novamente as ilusões o fizeram esquecer quem era. O que sentia. Sente-se vazio. Sente-se sozinho. Sente-se derrotado. Sempre a mesma sina. Sempre a mesma história. Porque continuar insistindo? Porque continuar tentando? Seria melhor para todos o esquecimento. Se entregar ao fim. Seria melhor para si? Quantas dores. Sempre presentes. Quando isso terminará? Pelo que lembra nunca. Pelo que sente jamais. Pelo que sonha um dia. Só nos sonhos é feliz. Só nos sonhos vive plenamente. Quando trazia os sonhos para o mundo real sentia a vida pulsar. Quando deixou de se enganar, caiu novamente.
Só queria arrancar do peito o coração pulsante e arremessá-lo a quilômetros de distância. Queira ter coragem para fugir. Fugir para nunca mais voltar. Queria ter coragem para olhar para o abismo e ali se entregar. Só teve vida real quando o coração arrancou. Só teve vida real quando a humanidade rejeitou.
As lágrimas escorrem e tem cor de sangue. As lágrimas são doces. Não sente ódio ou raiva. Só a tristeza que o preenche. Sempre se enganando. Sempre mentindo pra si mesmo. Uma fantasia sonhada para trazer um pouco de alento.
Olhos negros, olhos claros. Cheiros, sabores. Tudo entorpece. Talvez se entregue ao seu destino. Tanto tentou fugir dele, mas talvez não haja mais razão para fugir. Talvez seja isso que ele é. Talvez deva aceitar que não pode mudar o que é.
Queria gritar. Queria fugir. Queria morrer...
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