terça-feira, abril 10, 2007

Condenação - Parte 1


- Acorde, meu filho – a voz ribombava como trovões em seus ouvidos. – Esta na hora de sua recompensa.
Christopher foi se recobrando pouco a pouco. Suas lembranças ainda estavam nubladas. Não se lembrava o que acontecera e nem onde estava. Lentamente abriu seus olhos.
- Tolo mortal – a voz sem dono ressoava por toda parte. – Te concedi o poder digno dos deuses e você o desprezou por causa de uma simples mulher.
Aquelas palavras eram duras e lhe causavam um certo desconforto, mas ele ainda não se lembrava do que se tratava aquilo. Tentou levantar-se. Não conseguiu. Seu corpo estava pesado.
- Aqui você sofrerá pela sua desobediência, criança – disse a voz. – E quando chegar a hora você voltará para fazer aquilo a qual foi destinado. Prepare-se Christopher, pois sofrerá toda sorte de castigos. E isso endurecerá seu coração e você jamais se desviará de seu caminho novamente.
O silêncio. Um silêncio mórbido. Nocivo. Algo naquele lugar era terrível e opressor. Christopher ficou ali, naquele lugar, por dias, meses, anos. Havia perdido a conta. Sua consciência ainda estava nublada. Mas pouco a pouco ele foi se lembrando. Lembrou-se daquele sorriso, daquela voz. Lembrou-se dos brilhantes olhos. Mas ele se perguntava o tempo todo quem era aquela que assombrava seus pensamentos. Pois apesar dos rápidos flashes de lembranças, ele ainda não se lembrava da vida terrena que tivera.
E quando ele achava que seu único tormento seria ficar abandonado naquele lugar esquecido pelos deuses, alguém apareceu.
Coberto com um manto e capuz, tocou levemente o braço de Christopher e este no mesmo momento recobrou suas forças e levantou-se.
- Quem é você? – perguntou Christopher. – Por que me ajudou?
- Tudo será revelado em seu devido tempo – disse a pessoa encapuzada. – Eu o levarei para outro lugar agora, e talvez você mude de idéia quanto ao fato de eu estar lhe ajudando.
- Para onde irá me levar? – perguntou Christopher.
- Me acompanhe e suas dúvidas serão sanadas – disse a pessoa encapuzada e seguiu para dentro da escuridão profunda.
Sem nenhuma vontade de continuar naquele mórbido lugar, Christopher seguir o encapuzado rumo à escuridão.
As trevas tomavam aquele lugar e Christopher não enxergava nada, apenas mais a frente o homem que o havia libertado. Caminharam algum tempo e chegaram em uma planície extensa. Parecia ser feita de areia vermelha e algumas pedras pontiagudas despontavam da areia apontando para o céu, vermelho.
Ao fundo um imenso vulcão cuspia lava e fumaça para todos os lados.
- Que lugar é esse? – perguntou Christopher.
- Esta é a planície vermelha – respondeu o encapuzado. – Lar dos predadores dos sonhos.
- Predadores dos sonhos? – Christopher estava intrigado.
- Fique olhando – disse o encapuzado.
De repente, do meio da areia vermelha, algo saiu. Seu pelo era negro. Possuía longas pernas e braços. E parecia encurvado. Sua face era terrível. Possuía um focinho como de um cachorro. Só que suas grandes presas saltavam para fora de forma irregular.Seus olhos eram amarelos. E sua respiração era ruidosa. Aos poucos outras criaturas foram saindo do meio da areia e logo havia cerca de vinte criaturas, ruidosas e terríveis.
- O que elas vão fazer? – perguntou Christopher.
- Se alimentar – respondeu o encapuzado.
Ao longe uma pessoa começou a se tornar visível. Trazia em seu colo uma criança. Aos poucos a silhueta foi tornando-se mais nítida. Era uma jovem garota.
As criaturas levantaram seus focinhos, farejando o ar. Haviam sentido o cheiro da garota. Formaram um semi-círculo e correram na direção dela.
Os gritos ecoavam pela árida planície. Christopher viu quando os braços da garota foram arrancados. Depois suas pernas. Seu tronco foi rasgado ao meio. E pouco à pouco ela foi sendo devorada pelas criaturas. E pelos gritos da garota, ele manteve-se consciente o tempo todo.
Christopher estava enojado com aquela cena.
- Por que você não faz nada para impedir isso? – perguntou Christopher e as lágrimas escorriam involuntariamente de seus olhos.
- Esse é o castigo dela – disse o encapuzado. – E assim ela sofrerá por muito tempo.
- Por que me fez ver isso? – Christopher estava visivelmente abalado.
- Por que seu próximo tormento será neste lugar – respondeu o encapuzado. – Condenado será a presenciar esta cena que aqui viu e nada poderá fazer para impedir e aliviar o seu sofrimento.
As correntes saíram instantaneamente do meio da areia e fixaram-se nos pulsos de Christopher. Ele estava preso de novo.
- Me solte – gritou Christopher. – O que eu fiz para merecer isso?
- Você não se lembra agora – respondeu o encapuzado. – Mas com o tempo se lembrará. Agora, divirta-se com os predadores dos sonhos.
Christopher estava desesperado. Olhava para os lados, mas não havia nada nem ninguém que pudesse ajudá-lo naquele momento. Então ele viu. A garota aproximando-se novamente, os predadores farejando e em seguida devorando a pobre jovem. E a cena se repetia, seguidamente, por incontáveis anos, ele ficou ali imóvel, sendo obrigado a assistir a tudo impassível.
Este era seu segundo tormento. Mas muitos outros ainda haveriam de vir. Assim havia prometido o seu pai.

1 Comments:

Anonymous Anônimo said...

Quão terrivel são os castigos do pobre Cris....
Bem esperemos para ver oq vem adiante;

Excelente Cronica

7:41 PM  

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