segunda-feira, dezembro 04, 2006

Esquecimento

Na mesa da taverna ele observa todos os freqüentadores. Todos parecem felizes. Ignoram o perigo que correm. Mas essa noite ele está em paz. Não veio para fazer novas vítimas. Desta vez, ele quer apenas beber. Beber e esquecer. Esquecer aquele belo sorriso. Esquecer aqueles olhos brilhantes e profundos. Esquecer aquela doce e suave voz. Esquecer o quanto se sentia indefeso perto dela. Esquecer o quanto tentara ignorar seu coração e deixou que ela se se aproximasse cada vez mais. Esquecer sua própria ingenuidade por achar que poderia colocar um fim naquele sentimento. Apenas esquecer....
A jovem traz a jarra. Apesar da simplicidade da moça, existe uma beleza notória em seu rosto. Ele a encara e sorri. Um sorriso malicioso e envolvente. Desconcertada, a jovem derruba a jarra. Ele segura a jarra antes que ela se quebre no chão. A jovem pede mil desculpas e sai totalmente envergonhada.
Ele sorri, pega a jarra e derrama o conteúdo em seu copo. Leva o copo a boca, mas não bebe. Sua atenção volta-se para a jovem que serve as bebidas. Parada perto ao balcão, ela não tira os olhos dele. Parece hipnotizada. Ele suspira. Queria paz, mas pelo visto não teria. Não nesta noite. Ele levanta-se. Olha para a jovem e pede que o siga. Em seguida caminha para fora da taverna. A jovem o segue ignorando aos chamados dos outros clientes.
A jovem deixa a taverna e caminha pela rua da cidade. Ela para. Olha para os lados procurando por ele. Ele está parado encostado em uma árvore. Ao ver a jovem ali sozinha, indefesa, ele gargalha. Ele se aproxima dela. Aproxima seu rosto do desnudo pescoço da jovem. A jovem começa a tremer. O suar escorre em sua testa, mas ela não se move. Sua boca toca levemente o pescoço da jovem.
A taverna fica em silêncio quando o grito da jovem corta a noite. Alguns mais corajosos correm para fora. Eles encontram a jovem. Jaz, na estrada, o corpo pálido e sem vida da jovem que há poucos minutos servia bebidas alegremente na taverna.
Ele havia feito mais uma vítima. Triste e abatido ele caminha de volta para a gruta úmida e escura que tem sido seu lar nos últimos meses. E novamente a lembrança voltou a sua mente. A lembrança daqueles olhos brilhantes e profundos. A lembrança daquela doce e suave voz. A lembrança de como se sentia indefeso perto dela. A lembrança de quanto tentara ignorar seu coração e deixara que ela se aproximasse cada vez mais. A lembrança de sua própria ingenuidade por achar que poderia colocar um fim naquele sentimento. Apenas a lembrança....

1 Comments:

Anonymous Anônimo said...

O esquecimento que não dura dias, a memória que parece atormentar, a ânsia de aguardar mudanças............
Eles realmente trazem mistérios que nem a própria dona pode desvendar...Elas vêm a cada ano elas m e surpreendem a cada ano lembranças..
Mtas vezes quero voltar quero voltar

7:19 PM  

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