À Espreita...

A planície árida se estendia por toda a imensidão. A areia vermelha misturada com cinzas dava uma aparência macabra à região. Ao longe no horizonte, um imenso vulcão em erupção constante cuspia cinzas e lava. Não havia árvores, animais ou qualquer sinal de algo vivo. O céu estava negro, porém inúmeras estrelas projetavam sua fraca luz naquela aridez escarlate. E a pálida lua estava lá, fantasmagórica e sempre cheia. O tempo não passava ali. Aquela região parecia ter saído de uma obra de Dante, se existia um inferno, era com certeza aquele lugar. De tempos em tempos, o som das erupções preenchia o local, e depois vinha o silêncio. Silêncio quase sepulcral. Ali naquele lugar amaldiçoado pelos deuses, ele espera. Paciente, ele contempla a lua esperando o momento de sua volta. Já não sabe mais há quanto tempo está ali. Perdeu a noção há muito tempo atrás, quando sua humanidade desaparecera totalmente. Ali ele rumina sua vingança. Seu ódio já não pode ser medido em proporções normais, pois crescera de tal forma que dificilmente restaria outro sentimento em sua amargurada alma. Cada segundo é ocupado com a lembrança de sua perda. Sua dor foi grande um dia, mas hoje é apenas uma cicatriz incômoda, que como um ferimento de guerra, insiste em latejar constantemente. Ele sabe que logo chegará o momento de voltar, e ai poderá enfim executar o plano que há séculos tem planejado. Sua vingança perfeita. Uma imagem às vezes assalta sua abalada mente, mas ele já nem se lembra mais o que significa. Perdeu-se em seu passado de dor e sofrimento. A única coisa que ele tem certeza é quando chegar o momento oportuno ele fará o que tem que ser feito. A vingança. Só há lugar para o ódio. E assim ele contempla a lua pálida e fantasmagórica, esperando o momento de voltar. E rumina sua vingança. Esse é o seu castigo. Esse é o tormento. E mais uma vez o silêncio é quebrado pela explosão do vulcão e mais cinzas e lava se espalham na superfície árida daquela paisagem.

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