segunda-feira, agosto 07, 2006

Sacrifício


O vento frio castiga o rosto do jovem. Parado diante da imensidão azul do oceano ele suspira e então reúne toda a sua coragem para continuar o seu plano. Não podia voltar atrás agora. O pequeno bote amarrado ao píer à sua frente ziguezagueava levado pelas fortes ondas. O rapaz pega o galão de combustível e a garrafa. Uma lágrima escorre lentamente e percorrer seu rosto. Uma incerteza enchia seu coração. Mas não havia lugar para incertezas naquele lugar e o rapaz caminhou pelo píer lentamente. Os minutos mais longos de sua vida. O vento uivava assustadoramente, entoando uma triste canção e as ondas castigavam a pequena embarcação. O rapaz, vacilante, desceu a escada de madeira e subiu no barco. As ondas quase o derrubaram. Ele depositou o galão no fundo do barco e desamarrou a corda que mantinha a embarcação presa ao píer. Agora não podia voltar atrás. Segurou os remos e lentamente foi conduzindo o barco entre as ondas. O tempo estava nublado, e as nuvens impediam qualquer vestígio do sol. Aos poucos a praia ia desaparecendo, até que não havia mais nenhum vestígio dela. O rapaz parou de remar, recolheu os remos e cuidadosamente os depositou no fundo do barco. Suspirou profundamente. Retirou do bolso da calça um papel, uma carta... carta de despedida... Ele a abriu cuidadosamente e passou os olhos rapidamente pelas palavras ali escritas. Sem perder mais tempo, pegou a garrafa e depositou dentro dela a carta, selando-a com uma rolha. Em seguida arremessou-a ao mar.
Parte do que tinha que fazer estava feito, agora só faltava o mais difícil. Pegou o galão e começou a derramar o conteúdo sobre si mesmo e sobre o barco. Esvaziou todo o conteúdo.
Levantou-se e de pé no barco recitou uma prece. Rasgou um pedaço de sua camisa e fez um pequeno pavio e pôs fogo. Depositou na extremidade do barco e deitou-se de braços cruzados. A chama percorreu o pavio e logo espalhou-se pelo combustível derramado no barco. Não demorou muito para que atingisse o corpo do rapaz. Ele não moveu um dedo, não emitiu nenhum som enquanto as chamas queimavam por completo o barco. Aos poucos o barco foi sendo engolido pelas ondas até que apenas a fumaça negra subindo aos céus podia ser vista. Ele havia conseguido. Ele enfim estava livre...
Alguns dias depois, um homem caminhava pela praia, quando algo chamou-lhe a atenção.
Semi-enterrada na areia, uma garrafa reluzia e dentro dela parecia haver uma carta...